quarta-feira, 13 de junho de 2012

[Coisinhas escritas à toa] Um texto de um só leitor...





遅き日の  つもりて遠き  むかしかな

Osoki hi no     tsumorite tooki        mukashi kana


蕪村

Buson



É tão estranho sentir e não conseguir expressar o que se sente. Nas primeiras horas do dia, ainda noite, um turbilhão de memórias tomou conta de mim, trazendo à tona tudo aquilo para o qual eu já havia negado a evidência. Eu tenho me usurpado demais. Faz quanto tempo? Não sei. O tempo. Sempre essa preocupação insana com o tempo. A paranoia do apego... A mania de controle. E o movimento que me faz oscilar e me perder. A dor de me ver mutilada... É como um filme de terror que só eu consigo assistir. Quem percebe a minha agonia? Eu queria poder depreender aquilo que não se compreende. E me desprender. Sentir o que não se toca. Deixar morrer. Explicar sobre o que é inefável. Não escrever. O rio dos dias que corre e escorre pelas curvas da existência. Muitas águas se passaram e outras continuam passando. O rio. Um rio sem nenhum registro... As águas são outras. Nem a borda é mais a mesma. A erosão mudou o aspecto desse rio que sou.


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~Nana~

2 comentários:

  1. Pra aproveitar minha pequena volta a internet resolvi dar uma olhada no teu blog... Incrível como dentre tantos posts me senti compelido a checar esse primeiro.

    Resumo meu entendimento em uma única palavra: Confusão.

    A vontade de querer entender as vezes supera, mas nem sempre é suficiente. Os rios dos dias passam sempre e constantes, não podemos mudar isso, acho que o jeito é se acostumar com a paisagem e as margens em constante evolução.
    Dizer que são apenas erosões faz parecer que estamos perdendo algo na corrente, e acho que essa não é a posição correta a se tomar.

    É melhor pensar que se está renovando a cada dia, aberto a novos conceitos e sendo alguém novo a cada fase... Cada pequena geração interna.

    Como é bom voltar a escrever para amigos queridos. x3

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    1. A tua interpretação me fez olhar de outro modo para o "rio". Quero acreditar que o que foi perdido não vai me fazer falta depois. Não sei se as outras pessoas percebem com agonia as pequenas mudanças (algumas forçadas) que sofrem. Eu tenho um apego muito grande ao que sou... mas acho que preciso me libertar dos meus próprios padrões.

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